Instituto Casa Keâ

Psicologia e Cuidados
Afropindorâmicos

Uma psicologia fundamentada na ancestralidade.

O Instituto

Uma casa onde cuidado e conhecimento
nascem do território.

O Instituto Casa Keâ nasce de uma trajetória de mais de quatorze anos de atuação, pesquisa e cuidado em saúde mental, construída nos territórios onde a vida das populações negras e indígenas brasileiras acontece. Aqui, o conhecimento não está separado da experiência: ele nasce do encontro entre a prática clínica, os territórios, as ancestralidades e os saberes que sustentam a vida.

Da Atenção Psicossocial ao SUS e SUAS, da prática clínica ao Mestrado em Serviço Social (PUC-Rio) e ao Doutorado em Psicologia (UFF), o Instituto emerge do encontro entre diferentes territórios de saber: uma casa comprometida com a construção de uma Psicologia verdadeiramente brasileira, enraizada nas cosmopercepções negroindígenas.

O Instituto é também a casa de trabalho de um terapeuta e supervisor clínico: além do atendimento, sustenta a supervisão de psicólogas e psicólogos que buscam uma prática enraizada nas realidades brasileiras.

Retrato do psicólogo responsável pelo Instituto Casa Keâ
Psicólogo responsável · CRP 05/42870
Quem caminha

Antes do método,
um caminho.

Minha formação em Psicologia começou no Rio de Janeiro, no estágio realizado no Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi ali que apareceu, pela primeira vez, a pergunta que orienta tudo o que faço até hoje: por que as metodologias que aprendíamos não davam conta das realidades que encontrávamos nos territórios?

Foram cerca de doze anos atuando no SUS como psicólogo, na Atenção Psicossocial, na Atenção Primária à Saúde e na Estratégia Saúde da Família, além dos equipamentos do SUAS. Acompanhando pessoas, famílias e comunidades todos os dias, o próprio território foi nos mostrando: faltava uma psicologia que nascesse entre nós.

Foi dos grupos terapêuticos que conduzi no SUS que nasceu a Psicologia Afropindorâmica. O caminho seguiu pela Especialização em Saúde Mental e Atenção Psicossocial no IPUB/UFRJ, pelo Mestrado em Serviço Social na PUC-Rio e, hoje, pelo Doutorado em Psicologia na UFF, onde desenvolvo a fundamentação teórica e metodológica dessa psicologia.

Desde 2014, retorno frequentemente à Floresta Amazônica. E, nos meus últimos seis anos no Rio de Janeiro, foi bebendo das águas das minas da Floresta da Tijuca que continuei aprendendo com a mata, com as águas e com os territórios.

No Kitembo, laboratório de estudos das subjetividades e das culturas negro-indígenas brasileiras, encontrei um território de pesquisa capaz de sustentar e fortalecer essa construção coletiva. E foi em uma travessia até o Rio Jordão, no Acre, que recebi o nome Keâ, vindo da ciência e da cultura do povo Huni Kuin.

Hoje, o cuidado acontece em Cambé, no Paraná. Retornei à cidade onde nasci para cuidar de minha mais velha e estar junto dos meus parentes. E foi nesse retorno que outro território começou a se formar.

Estamos em uma casa que guarda, no quintal, uma casa na árvore; sonho de nossas crianças. É desse chão que o Instituto Casa Keâ começa a se organizar.

No quintal, ao redor da fogueira, com a Lua como nossa cúmplice, nos encontramos a cada Lua Cheia. Ali, entre pessoas, árvores, fogo, memória e ancestralidade, plantamos e colhemos a força ancestral que nos habita.

Talvez seja justamente isso que o retorno tenha me ensinado: às vezes, para continuar uma travessia, é preciso voltar para casa.

Ver a trajetória completa
O cuidado

Psicologia
Afropindorâmica

A Psicologia Afropindorâmica nasce da necessidade de construir formas de cuidado psicológico contextualizadas às realidades brasileiras, comprometidas com as experiências, as histórias e os saberes das populações negroindígenas.

Ela parte do reconhecimento de que território, ancestralidade, comunidade, raça, cultura e história não são elementos externos ao processo psicológico: eles são constitutivos de quem somos e de como nos adoecemos ou nos cuidamos. Uma Psicologia que ignora isso não responde à experiência real da maior parte da população brasileira.

É uma construção teórica, metodológica e prática, aprofundada no Kitembo-UFF, em diálogo rigoroso entre a ciência psicológica e os saberes dos terreiros, quilombos, aldeias, periferias e oralidades que sustentam historicamente nosso povo.

Pesquisa Aterrada

Um de seus fundamentos metodológicos é a Pesquisa Aterrada: uma forma de produzir conhecimento que parte da realidade concreta das pessoas e dos territórios, reconhecendo experiências e saberes ancestrais como fontes legítimas de conhecimento e ciência do cuidado. Não há saber neutro ou deslocado do chão que o sustenta.

Conhecer a Pesquisa Aterrada na prática
Atendimentos

O que o Instituto oferece.

O cuidado acontece na clínica, na roda e na supervisão, e se estende à formação e às práticas integrativas que mantêm a casa viva.

Interagentes e Interação Terapêutica

Interagentes é o termo que utilizamos para nos referir às pessoas que participam do processo de cuidado na Psicologia Afropindorâmica. A escolha desloca a ideia de uma pessoa que apenas recebe uma intervenção para reconhecer alguém que participa ativamente da relação terapêutica, produzindo sentidos, saberes e movimentos no próprio encontro.

Essa compreensão se fundamenta em três referências centrais.

A primeira emerge do provérbio e símbolo Adinkra da cultura Akan, Boa me na me mmoa wo: “ajude-me e deixe-me ajudá-lo”, que expressa princípios de cooperação, reciprocidade e interdependência. O cuidado, nessa perspectiva, não se realiza em uma única direção.

A segunda referência encontra-se no princípio metodológico da intersubjetividade negra, presente na obra de Virgínia Leone Bicudo (1945), aqui retomado para pensar o entrelaçamento de histórias, afetos, experiências e sentidos que atravessam tanto a pessoa que cuida quanto aquela que procura o cuidado. Isso não significa apagar as diferenças de função e responsabilidade profissional, mas reconhecer que nenhum encontro terapêutico acontece sem confluência.

A terceira referência vem da confluência, formulada pelo mestre quilombola Antônio Bispo dos Santos. Confluir é produzir encontros capazes de gerar trocas e transformações sem exigir fusão, assimilação ou apagamento das singularidades. As diferenças permanecem vivas enquanto os caminhos se confluem e produzem novos movimentos.

É nessa encruzilhada que nomeamos interagentes: pessoas que, em relação com o profissional do cuidado, participam de uma interação viva na qual histórias, saberes, afetos, dores, forças e possibilidades de cura circulam e produzem transformações.

Por essa mesma razão, chamamos nosso processo de Interação Terapêutica Afropindorâmica.

Não se trata apenas de uma psicoterapia que acontece entre duas individualidades isoladas. O cuidado acontece entre. Entre terapeuta e interagente, mas também entre ancestralidade, corpo, memória, comunidade, território, espiritualidade e as redes que sustentam a vida.

A Interação Terapêutica parte, portanto, de uma compreensão fundamental: ninguém chega sozinho ao encontro de cuidado. Muitas vidas chegam conosco.

E é com elas que também cuidamos.

Cuidado da Pessoa

Acompanhamento psicológico contextualizado, atendido on-line para todo o país. Parte das confluências e transfluências da história de cada pessoa.

Conhecer o atendimento

Cuidado do Coletivo

O Luau Terapêutico: psicoterapia de grupo ao ar livre, em volta da fogueira, uma vez por mês, na lua cheia. Cada encontro tem um tema, e a roda é a porta de entrada da metodologia.

Conhecer o Luau Terapêutico

Supervisão Clínica e Formação Profissional

Oferecemos supervisão clínica para psicólogas e psicólogos que buscam construir práticas enraizadas nos territórios onde o cuidado acontece, considerando as dimensões raciais, culturais, comunitárias, ancestrais e sociais que atravessam cada encontro terapêutico.

Também desenvolvemos assessorias e processos formativos para instituições, equipes e grupos profissionais, contribuindo para a construção de metodologias de cuidado contextualizadas às realidades brasileiras e comprometidas com os saberes, territórios e modos de existência negroindígenas.

Mais do que aplicar modelos previamente estabelecidos, buscamos uma formação capaz de perguntar: que cuidado pode nascer da realidade que encontramos?

Falar sobre supervisão ou formação

Registros de formação e supervisão

Turma de um processo formativo reunida em sala, em volta de uma roda de livros e plantas
Participantes abraçados em roda no encerramento de um encontro de formação
Encontro formativo com agentes comunitários de saúde em uma unidade de saúde
Dinâmica em roda com agentes comunitários de saúde
Encontro com trabalhadoras e trabalhadores da saúde reunidos em um corredor de unidade
Equipe de profissionais de saúde reunida em um encontro de formação
Equipe de saúde e agentes comunitários reunidos em uma unidade de saúde

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Outras dimensões do Instituto

O que mantém a casa em movimento.

Medicinas Naturais da Amazônia

Aprendemos, cultivamos e compartilhamos continuamente saberes das medicinas naturais e ancestrais, trazidos de nossas travessias pela Amazônia, dos encontros com comunidades e também das plantas que cultivamos em nosso próprio território.

Conhecer as medicinas naturais

Princípios da Kemet Yoga

Certificado em 2025 pela YogaSkills School of Kemetic Yoga, o psicólogo Keâ Costa integra princípios da Kemet Yoga às práticas desenvolvidas pelo Instituto Casa Keâ.

Conhecer a Kemet Yoga
Ciência a partir do território

Pesquisa Aterrada
na Prática

A Pesquisa Aterrada constitui um dos fundamentos metodológicos do Instituto. Trata-se de produzir conhecimento a partir da realidade concreta e das experiências vividas por pessoas negroindígenas em diáspora no Brasil, reconhecendo territórios, corpos, memórias e saberes ancestrais como lugares legítimos de produção de ciência e de tecnologias de cuidado.

Desde 2012, diferentes experiências territoriais vêm compondo esse percurso. Entretanto, é a partir das vivências mais recentes com coletivos, comunidades quilombolas, indígenas e negroindígenas, em confluência com as elaborações construídas junto ao Kitembo (UFF) e à pesquisa de doutorado em andamento, que a Pesquisa Aterrada vem adquirindo maior fundamentação teórico-metodológica.

Nesse caminho, pesquisar não significa apenas observar um território, mas deixar-se ensinar e transformar por ele. A experiência vivida torna-se parte do próprio método, fazendo da relação com as comunidades, com a ancestralidade e com o território uma dimensão fundamental da produção do conhecimento.

Salvaterra, Pará

Quilombo do Pau Furado e o Centro de Ciência e Saberes Quilombola

Na confluência com o Quilombo do Pau Furado, em Salvaterra, no Pará, experimentamos a ancestralidade como uma memória viva inscrita no território.

As plantas cultivadas, preservadas e transmitidas pelos mais velhos não constituem apenas recursos naturais: carregam histórias, práticas de cuidado, conhecimentos e relações construídas entre gerações. A partir desses saberes, o Quilombo fortalece fundamentos de pertencimento territorial, comunitário e psicoespiritual.

A experiência nos ajuda a compreender que a ancestralidade não está situada somente no passado. Ela permanece viva naquilo que foi cuidado, transmitido e confiado às gerações seguintes.

O Centro de Ciência e Saberes Quilombola, no Quilombo do Pau Furado
Moradora do Quilombo do Pau Furado ao lado de um mural pintado no Centro de Ciência e Saberes
Encontro com uma liderança do Quilombo do Pau Furado em frente ao Centro de Ciência e Saberes
São Gabriel da Cachoeira, Amazonas

Casa da Cabocla Erondina

Na Casa da Cabocla Erondina, em São Gabriel da Cachoeira, o cotidiano do cuidado se constitui em diálogo com a ciência da Jurema Sagrada, com os encantados, com as plantas e com os conhecimentos transmitidos entre gerações.

Nesse território, povos negroindígenas constroem encontros de cuidado que articulam dimensões visíveis e invisíveis da existência, fortalecendo valores e princípios ancestrais como tecnologias para a reexistência da vida.

A experiência, situada em São Gabriel da Cachoeira, território marcado pela presença de numerosos povos indígenas, amplia nossa compreensão de que cuidar também significa produzir condições para que memória, espiritualidade, comunidade e território continuem participando da vida cotidiana.

Encontro de cuidado na Casa da Cabocla Erondina, com a comunidade vestida de branco
Conversa à mesa na Casa da Cabocla Erondina, em São Gabriel da Cachoeira
A placa do Recanto dos Orixás, na Casa da Cabocla Erondina
Barra do Pojuca, Camaçari, Bahia

Quilombo Cachoeirinha

No Quilombo Cachoeirinha, em Barra do Pojuca, Camaçari, Bahia, a Pesquisa Aterrada encontrou outra expressão da relação entre comunidade, ancestralidade e território.

Mobilizando corpos visíveis e forças invisíveis, a comunidade participou do processo de recuperação de uma nascente, restituindo vida a um território que hoje também é reconhecido como espaço de convivência, lazer e interesse turístico.

Essa experiência evidencia que o cuidado comunitário pode ultrapassar as fronteiras do corpo individual. Quando uma comunidade cuida de suas águas, de suas matas e de seus lugares de memória, cuida também da continuidade de sua própria existência.

A nascente recuperada pela comunidade do Quilombo Cachoeirinha
Encontro com moradores do Quilombo Cachoeirinha, na beira da nascente
Moradora do Quilombo Cachoeirinha no quintal, entre plantas e placas pintadas à mão

É nesse sentido que a Pesquisa Aterrada vai se constituindo: uma ciência que não pesquisa apenas sobre os territórios, mas aprende com eles, caminha com eles e reconhece as sabenças produzidas por quem sustenta a vida nesses chãos.

Casa da Árvore do Instituto Casa Keâ iluminada ao entardecer, com luzes quentes e vegetação ao redor

Casa Keâ, onde a ancestralidade é caminho de cuidado.

Trajetória

Uma metodologia
construída no caminho.

A Psicologia Afropindorâmica emergiu do encontro entre a prática clínica, o território, a pesquisa acadêmica e o movimento social. Não nasceu de um laboratório. Nasceu do chão.

  1. Formação e Clínica

    IPUB / UFRJ

    Atuação no Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Especialização em Saúde Mental e Atenção Psicossocial.

  2. SUS e Território

    Atenção Primária à Saúde

    Experiências na Estratégia Saúde da Família e no SUAS. O cuidado como prática territorial e comunitária.

  3. Pesquisa Acadêmica

    PUC-Rio & UFF

    Mestrado em Serviço Social pela PUC-Rio. Doutorado em Psicologia pela Universidade Federal Fluminense.

  4. Epistemologia

    Kitembo

    Laboratório de Estudos das Subjetividades e das Culturas Negro-Indígenas Brasileiras. Encontro entre universidade e os saberes dos territórios.

  5. Territórios Brasileiros

    Brasil profundo

    Pesquisas e experiências com terreiros, quilombos, aldeias, periferias e comunidades. BR Cidades. Amazônia. Diferentes territórios e oralidades.

  6. Hoje

    Instituto Casa Keâ

    Uma casa de cuidado, pesquisa e formação comprometida com a construção de uma Psicologia verdadeiramente brasileira.

Blog

Pensamentos, pesquisas
e escritos.

Textos sobre psicologia afropindorâmica, cuidado em território, pesquisa aterrada e o que se aprende no caminho entre a clínica, a academia e a floresta.

Em breve
Em breve
Em breve

Os primeiros textos estão em preparação.

Conhecer um modo de cuidado
também é conhecer de onde ele nasce.

Se você chegou até aqui, talvez já tenha encontrado algo que ressoa. O próximo passo é simples: uma conversa para conhecer o atendimento e verificar se é o momento certo para esse encontro.

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